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Câncer de mama: diagnóstico precoce salva vidas

Profissionais fazem campanha voluntária para ampliar a capacidade de realizar procedimentos pelo SUS / Foto: Lucas Silva

 

“Câncer de mama não é mais uma sentença de morte e a mulher precisa acreditar nisso e cooperar com o tratamento”. A fala é da mastologista Danielle Chambô, responsável pelo serviço da área no Hospital Santa Casa de Vitória e uma das convidadas da mesa-redonda virtual promovida na noite de quinta-feira (22) pela Secretaria de Comunicação Social da Assembleia Legislativa (Ales).

A médica destacou a importância de as mulheres realizarem pelo menos uma vez por mês o chamado autoexame das mamas, mas reforçou a necessidade da mamografia pelo menos uma vez por ano porque o exame tem capacidade de detectar lesões menores. Alguns fatores de risco são o histórico familiar, idade acima de 40 anos e a obesidade.

“O corpo dá alguns sinais, como nódulo na mama ou nas axilas. A saída de secreção pelo mamilo, descamação, alteração de coloração, a mama parecida com uma casca de laranja. São sinais de uma doença um pouco mais avançada. É fundamental se tocar. Alguns cânceres têm uma capacidade de se multiplicar muito grande, são agressivos e surgem no intervalo das mamografias. Por isso é importante fazer o autoexame todo mês”, ressaltou.

De acordo com Chambô, o câncer de mama é o segundo mais comum entre as mulheres, atrás apenas do câncer de pele, sendo responsável pela maior quantidade de mortes. Ela ainda disse que uma em cada oito mulheres vai ter câncer de mama, mas, com o diagnóstico precoce, a chance de cura ultrapassa 95% dos casos.

Outro ponto da fala da mastologista abordou os “gargalos” do Sistema Único de Saúde (SUS) que impedem um tratamento mais ágil para as mulheres. “O tempo, a burocracia, para a paciente conseguir a mamografia, o médico ver se está alterado (o exame) e encaminhar para o especialista demora de 8 a 10 meses. Está quase na hora da nova mamografia. Temos de tomar medidas para romper a burocracia e tornar isso mais efetivo”, enfatizou.

#JuntosPelaMama

Quem também participou do evento foi o oncologista Vitor Fiorin, que também trabalha na Santa Casa e, junto com Danielle Chambô, é um dos mais de 20 profissionais que atuam, de forma voluntária, no movimento #JuntosPelaMama, voltado para melhorar a realidade do tratamento do câncer de mama pelo SUS no Espírito Santo.

Um dos objetivos do grupo é arrecadar verba para a construção de uma sala cirúrgica no hospital e, assim, ampliar a capacidade de realização de procedimentos para zerar a fila de espera. Outros são aumentar o uso da técnica de clipagem metálica nas pacientes para reduzir o percentual de perda da mama e levar dignidade para as mulheres por meio da utilização da touca gelada, instrumento que evita em até 60% a queda de cabelo em quem faz quimioterapia.

Para apoiar a causa, inclusive, financeiramente, basta acessar as redes sociais ou site da campanha. “Postamos todos os dias no nosso Instagram o valor arrecadado. Temos uma conta vinculada à Santa Casa de Vitória, toda movimentação é rastreada. A meta inicial era R$ 650 mil. Agora estamos associando o valor de cada item”, explica Fiorin.

Alimentação 

A necessidade de hábitos alimentares saudáveis antes, durante e depois do tratamento do câncer de mama, foi abordada pela nutricionista Ana Paula Rus Perez, especializada em oncologia. Conforme expôs, uma alimentação balanceada, com alimentos ricos em fibras – como frutas, legumes e verduras – e a prática de atividade física são fundamentais para a qualidade de vida.

Ela chamou atenção para o fato de que muitas vezes o tratamento tem efeitos colaterais e as pacientes acabam ganhando peso por causa dos medicamentos, o que muitas vezes têm impacto na autoestima das mulheres. “Quando a gente engorda essas células de gordura provocam alterações no corpo. Deixa a gente despreparado para um erro que pode acontecer ali”, afirmou.

Dessa forma, é vital que se evitem alimentos industrializados e ultraprocessados, que contribuem com o aumento de peso e até podem acabar causando outras doenças. Perez também frisou que muitas vezes as pessoas trocam os alimentos por cápsulas, mas que o fator protetor está no alimento em si; por isso não acha interessante esse tipo de suplementação.

Informação

No encerramento da mesa-redonda os profissionais salientaram a importância de levar informações de qualidade sobre o câncer de mama para a população em geral. Ana Paula Perez realçou que alimentação não pode ser um fato de estresse para o paciente, pois também agrega uma parte emocional para eles.

“Não devemos fazer uma alimentação muito restrita. Alimento é convívio, é estar junto com a família, é memória afetiva. Não é só nutriente, temos de analisar as condições em que o paciente se encontra, inclusive, econômicas; por isso o atendimento individualizado”, disse.

Para Chambô a prevenção é o grande segredo para superar futuras dificuldades. Ela pediu para as mulheres deixarem a mamografia em dia mesmo em meio à pandemia, praticarem atividade física, diminuírem o consumo de bebidas alcoólicas e do tabaco e manterem o peso, em especial, no período pós-menopausa.

Por fim, Fiorin lembrou que dados da Sociedade Brasileira de Mastologia indicam que uma em cada quatro mulheres nunca fez a mamografia e, com a Covid-19, houve queda de 60% das mamografias. “Temos de estar juntos pela mama, pela saúde e pela qualidade de vida. É preciso estimular a mulher que você ama a fazer o exame, acompanhar”, concluiu.

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